Escravos da liberdade
Quando nasce o sol, quando a chuva cai, quando o vento bate no rosto, faz lembrar que não da pra adiar a vida, e o melhor da vida é mesmo irremediável. Gente que vive indo e vindo, que sabe o que quer, mas só por hoje, amanhã o nome já diz, é amanhã. Gente que não adianta quantas vezes se desenrolou são escravos de nós, mas quem vive isso sabe do que eu tento dizer, nó livre, nó que não deixa de ser laço, nó enrolado de doer, mas que se puxar a ponta, se desfaz, é leve, é encantador. Mudar de opinião, de assunto, de roupa, de vontades, mudar é mesmo a beleza da vida. Hoje pode não ser, mas amanhã pode, porque ontem não era e hoje é. Ter medo de altura e gostar de voar é instigante, me canso de quem diz nunca ter medo de nada e nunca se desafiar a nada. Patético precisar de asas pra voar e de outra vida pra viver, bonito é quem sempre da um jeitinho, voa sem asas e vive outra vida nessa mesma vida, da sensação de montanha russa, sabia? Me encanta viver, eu acho lindo, mas como já dizia a música ” liberdade manifesta o desapego ” eu gosto desse desapego estampado na vida de quem aprendeu que um dia ela própria quer ou precisa ir embora. Não importa o lugar, sempre vai ser intenso se eu deicidir que a minha felicidade é o que mais me interessa, e não que eu nunca vá sentir dor, talvez um dia esse nó me prenda, mas lembrar que pode de novo ser leve me fará querer me enrolar de novo na liberdade, e aí será tudo novo, mas só quando eu quiser, porque se não fica pesado, perde a cor, o brilho se apaga e só ficam as aparências, e de que adianta fingir uma vida? Que liberdade não seja fuga, não seja motivo de sensacionalismo, não seja escândalo, mas seja hoje, seja amanhã, seja sempre! E eu sempre posso me desenrolar mas não adianta, eu sempre volto e me enrosco na liberdade, ela dança comigo na chuva e me da vontade de continuar.
